Qual é a importância do Programa Baby Signs® nas Casas de Acolhimento Residencial?

O seio familiar deveria ser o porto de abrigo dos bebés, crianças e jovens. Mas, muitas vezes não é isso que se verifica.

Há bebés, crianças e jovens, que por terem passado por alguma situação de perigo, são protegidas em casas de acolhimento para ficarem em segurança. Ao abrigo de medidas de promoção e de proteção, como o Acolhimento Residencial, os menores são integrados neste novo lar, passando este a constituir o agente socializador da criança e a transmitir um conjunto de valores e crenças, para a sua construção individual e social (Simões Prata, 2013, in Ferreira, 2017).

O grande objetivo das Casas de Acolhimento é potenciar e apoiar durante o acolhimento, o desenvolvimento emocional e social das crianças e jovens, para que estas possam em segurança recuperar das sequelas sofridas, sentirem-se finalmente no direito de ser crianças e prepararem-se para enfrentar o futuro com esperança (Paroquia N. S. de Fátima, 2016).

Antes de mais, é necessário compreender o funcionamento de uma Casa de Acolhimento, para depois percebermos qual a importância do Programa Baby Signs® neste contexto.

As Casas de Acolhimento Residencial funcionam todos os dias do ano durante 24 horas.

Numa perspetiva laboral, se cada horário de trabalho corresponder a 8h laborais, perfaz  um total de três turnos (manhã, tarde, noite). Ou seja, os menores, ao longo do dia passam por “três mãos” diferentes.

A título de reflexão, no seio familiar, o bebé terá de criar conexões com o pai, a mãe, irmãos e alguns familiares mais próximos. Já pensaram com quantas pessoas é que um bebé convive numa Casa de Acolhimento? Quantas relações afetivas é necessário criar para haver um ambiente acolhedor, securizante e calmo?

É neste sentido que vos quero falar:

– Primeiro, na importância do Programa Baby Signs® nas Casas de Acolhimento;

– Segundo, na importância da equipa educativa estar apta, na sua totalidade, a implementar o Programa.

 

De facto, o cérebro dos bebés é extraordinário, pois é 250% mais ativo e mais plástico que o cérebro de um adulto, e daí, a facilidade em moldar o seu desenvolvimento conforme as experiências vividas (Cassol, 2018). Nomeadamente, em se moldar às mudanças familiares e socioafetivas.

Neste sentido, de modo a facilitar um ambiente mais afetuoso, com maior vinculação afetiva entre bebé-adulto na Casa de Acolhimento, o Programa Baby Signs® é um grande aliado, sendo este uma ferramenta que ajuda na comunicação dos bebés antes destes conseguirem falar. Pelos estudos já realizados, particularmente, por Linda Acredolo e Susan Goodwyn, o Programa Baby Signs® aumenta o vínculo afetivo entre bebé-adulto, pois quando o bebé e adulto conseguem comunicar um com o outro, a relação vai crescer mais próxima. O bebé sente-se mais compreendido e confia no adulto, mesmo estando separado dos pais.

Além disso, o Programa promove um desenvolvimento emocional positivo no bebé, e sabemos o quanto isso é importante em contexto de Casa de Acolhimento. O Programa não permite apenas que o bebé seja mais feliz, mas também que seja capaz de expressar outras emoções positivas. Perante a separação entre o bebé e os pais, em contexto de visita, a demonstração de empatia e felicidade do bebé ao encontrar um elemento da equipa educativa, deixa o coração dos pais mais descansado.

 

Faz com que o Programa Baby Signs® chegue a mais Casas de Acolhimento, contacta a Associação Baby Signs® Portugal.

Segue o próximo artigo sobre o Programa Baby Signs® nas Casas de Acolhimento.

 

Sara Caramalho

Instrutora Certificada Baby Signs®

Facebook: https://www.facebook.com/saracaramalhobabysigns

Instagram: https://www.instagram.com/saracaramalho_babysigns/

 

Bibliografia

Acolhimento Residencial e familiar: Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens. (s.d.). Obtido em 01 de junho de 2022, de Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens: https://www.cnpdpcj.gov.pt/acolhimento-residencial-e-familiar

Cassol, C. (2 de Agosto de 2018). Neurocrescer. Obtido em 1 de Junho de 2022, de Neurocrescer: https://neurocrescer.com.br/artigos/o-cerebro-do-bebe/

Ferreira, R. (2017). A Casa de Acolhimento onde Eu vivo: Narrativas de Crianças e Jovens sob Medida de Acolhimento Residencial. Lisboa.

Paroquia N. S. de Fátima. (2016). Obtido em 1 de Junho de 2022, de Paroquia N. S. de Fátima: https://paroquiafatima.com/berco-2/

 

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