Baby Signs®: Mitos e Verdades

Quando falamos de mitos e verdades, falamos de algo mais complexo do que simplesmente distinguir o que é falso do que é verdadeiro.

Em 2021, comecei a trabalhar com uma família americana com gémeos de 11 meses. Foi essa família que me perguntou se eu conhecia o Programa Baby Signs®.

Depois de pesquisar sobre o tema, fiquei muito cética.

Enquanto educadora, sempre fui incentivada a ser criativa, a ir além do imaginário e a criar cenários que promovam a imaginação, a criatividade e o desenvolvimento da criança. Mas, em relação ao Baby Signs®, estava bastante apreensiva.

Vamos ser sinceros: nos cursos de educação aprendemos que a chucha pode atrasar a fala e afetar a dentição quando usada durante demasiado tempo. Por isso, pensei:

“Se a criança fizer gestos para tudo, nunca vai falar.”

Na minha perspetiva, os gestos poderiam funcionar como uma “muleta” para a comunicação. Acreditava que os adultos teriam dificuldade em compreender o que a criança queria ou precisava e que isso poderia atrasar o desenvolvimento da linguagem.

Lembro-me de pensar:

“Isto não vai resultar.”

Mas estava determinada a provar que tinha razão.

Foi então que decidi inscrever-me no Programa Baby Signs®.

Ao estudar o programa, descobri algo que me surpreendeu profundamente: os gestos não só apoiam o desenvolvimento da comunicação oral, como também promovem a literacia, as relações afetivas e o respeito pela criança.

Mesmo assim, continuei desconfiada.

Comecei então a aplicar o programa com os gémeos de 11 meses, que até então comunicavam sobretudo através do choro quando queriam alguma coisa.

Começámos com gestos simples:

  • “mais”;
  • “beber”;
  • “comer”.

Rapidamente perceberam que os gestos permitiam ao adulto compreender e responder mais facilmente às suas necessidades.

Pouco tempo depois, já criávamos gestos novos — por exemplo, um gesto para “abelha”. E essa é uma das partes mais interessantes: os gestos podem adaptar-se à realidade e à criatividade de cada criança e família.

Ao fim de um mês, os meninos começaram a falar, sempre acompanhando as palavras com os gestos. Isto acontece porque os gestos são introduzidos juntamente com a palavra falada, criando uma associação natural entre ambos.

Os dias tornaram-se muito mais tranquilos, divertidos e calmos.

Outro aspeto interessante é que, por volta dos 2 ou 3 anos, a criança já não precisa de utilizar os gestos com frequência. No entanto, pode continuar a usá-los como reforço quando sente necessidade.

Recentemente, vivi outra experiência marcante com uma criança de 1 ano que apenas apontava quando queria mais comida. Pedi autorização ao pai para introduzir o gesto de “mais”.

À terceira vez que a criança apontou e eu fiz o gesto, ela repetiu-o. E nunca mais parou de o usar.

Esta jornada com o Programa Baby Signs® fez-me perceber que existem muitos mitos — mas também muitas verdades.

E uma das maiores verdades que descobri é esta:

Crianças que conseguem comunicar são crianças mais tranquilas.
E crianças felizes tornam famílias mais felizes.

Se és alguém tão cético como eu era, convido-te a conhecer o Programa Baby Signs®.

Afinal, os mitos também existem para serem desfeitos.

 

Sobre a autora:

Sara Canhoto é educadora, babysitter na Nanny Portugal e instrutora do Programa Baby Signs® em Cascais.

Instagram: @sarita_canhoto

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