Um bebé comunica desde os primeiros meses de vida. Ele usa o corpo, os sons, as expressões, os gestos para indicar o que sente e o que precisa.
As pesquisas revelam que gestos e interações não verbais são parte integrante da comunicação humana, desde muito cedo; e esses comportamentos pré-linguísticos não são apenas muito importantes, mas cruciais para o desenvolvimento social e cognitivo do bebé, manifestando-se em reação ao ambiente social e às interações com os adultos.
Os bebés, entre os seis e os doze meses, começam a usar gestos com intenção de querer algo como: apontar, estender os braços, acenar, ou seja, é uma forma clara de que querem comunicar. (American Speech-Language-Hearing Association).
Esses gestos, não são movimentos aleatórios. É a comunicação simples no seu início. Estes gestos são a ponte entre o pensar e o falar!
Quando o adulto responde, prestando atenção a esses gestos e comunicando com o bebé fortalecendo o que o bebé disse, fortalece a segurança emocional dele e ajuda o cérebro do bebé a se desenvolver. Relações empáticas e responsivas têm efeito direto na regulação emocional e na futura capacidade de se comunicar, certo! (Universidade de Harvard).
É aqui que o Programa Baby Signs® faz todo sentido.
Não para substituir a fala.
Mas para tornar mais fácil o caminho até ela.
Gestos simples e consistentes, ajudam o bebé a expressar o que já sente e compreende. Reduz frustrações. Aumenta a confiança. Criam ligação.
Porque, ouvir o bebé antes das palavras é exatamente isso: respeitar seu tempo e reconhecer que ele já está a comunicar e quer comunicar.
Lembro-me de um bebé numa das minhas aulas Baby Signs®. Tinha quase 9 meses. Muito atento, um grande observador. Mas na hora do lanche sempre havia frustração. Chorava, afastava a colher, ficava inquieto. A mãe dizia muitas vezes:
“Eu não entendo o que ele quer…”
Introduzimos os gestos: “mais”, “acabou” e “leite”, na hora da refeição.
Durante dias, não aconteceu nada.
Até que numa tarde, ele parou. Olhou para mãe. Abriu e fechou a mão, imperfeito ainda, mas com muita intenção.
A mãe ficou em silêncio por um segundo. E perguntou:
“Queres leite? ”
Ele sorriu.
Ali aconteceu algo grande, deixaram de adivinhar. Passaram a comunicar-se de verdade.
A frustração diminuiu. A confiança aumentou.
Educar com empatia é isto mesmo.
É parar, observar, estar realmente atento e corresponder ao que está a ser pedido.
Conversar é essencial para o bebé. Antes de palavras, existe uma conexão.
Uma relação sólida faz a comunicação realmente acontecer.
E é aqui onde tudo se inicia.
Quando os bebés recebem uma forma de se expressar antes de conseguirem falar, a frustração diminui e o vínculo entre pais e filhos se fortalece.
(Baby Signs: How to Talk with Your Baby Before Your Baby Can Talk, Acredolo & Goodwyn)
Sobre mim
Eu sou Catarina Veleroso, instrutora certificada do Baby Signs® nos Açores desde 2018, tendo feito formações em Língua Gestual Portuguesa e trabalhado com crianças, na área da saúde e educação infantil. Trabalho muito com famílias e profissionais que queriam fortalecer a comunicação na primeira infância, com respeito e consciência. Acredito, que comunicar é cuidar, que se ouve um bebé antes das palavras, onde se constrói confiança, um vínculo e um bom desenvolvimento com bases firmes.
Bibliografia:
* Desenvolvimento Infantil , Volume 84, Edição 4, julho/agosto de 2013, Páginas 1296–1307, Publicado: 12 de julho de 2013 Artigo “Contextos socioculturais influenciam o surgimento de gestos deícticos pré-linguísticos.” por Dorote Salomo – Oxford Academy
* Baby Signs ® Portugal
* Susan Goodwyn, Linda Acredolo, and Catherine Brown (inpress). Impact of symbolic gesturing on early language development. Journal of Nonverbal Behavior .
Instrutora: Catarina Veleroso, S. Miguel – Açores
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